JOSÉ PINTO PEIXOTO, FIGURA PLANETÁRIA


Bernardo Terreiro (1)

 


No passado dia 30 de Março, o país homenageou José Pinto Peixoto, um dos maiores cientistas portugueses de reputação mundial, levantando uma estátua monumental na cidade de Lisboa, frente ao edifício da Faculdade de Ciências, no Campo Grande. O monumento foi financiado por subscrição pública, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e foi seu autor o Mestre Laranjeira Santos.
 


Participaram na homenagem centenas de pessoas, principalmente representativas de universidades portuguesas e estrangeiras, tendo usado da palavra vários oradores, que com grande emoção, evocaram a obra e do homenageado.

Falou, em primeiro lugar, o Engenheiro Tomás Espírito Santo, dos serviços Meteorológicos, pois que o homenageado foi o maior especialista mundial do ciclo hidrológico global, segundo os cientistas Abraham Oort e Barry Saltzman, dos EUA.
Logo a seguir usou da palavra o conhecido cientista português, Professor Doutor Carvalho Rodrigues, que apelidou Pinto Peixoto de "figura planetária", cuja acção pode durar pelo tempo fora e ter consequências universais, não só pela repercussão científica da sua obra, mas também pela personalidade ímpar do professor universitário que apaixonou os seus alunos e deixou um exemplo único nas universidades por onde passou.

O Professor Doutor Passos Morgado, salientou o "docente do mundo", que foi o homenageado.

Em nome da Faculdade de Ciências de Lisboa falou o antigo aluno do Professor Pinto Peixoto, Dr. Augusto Barroso.

O Professor Doutor Barata Moura, reitor da Universidade de Lisboa, classificou Pinto Peixoto como o "Homo Universalis" e, também, o "Homo Curiosus", este último apelido pela sua preocupação constante em conhecer o porquê das coisas.

O Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. José Nunes Rodrigues, falou em representação da Câmara Municipal da capital, afirmando que a cidade ficou mais rica com a estátua do Professor Pinto Peixoto, que ficará como testemunha duma figura de cientista de fama universal.

Por fim usou da palavra o ministro da Cultura, Dr. Pedro Rosete, dizendo que o motor da elevação da estátua foi a gratidão do povo português a um homem que ultrapassou fronteiras, que foi um humanista desinteressado e humilde, preocupado com a língua, cultura religiosa, que olhava para o Homem em todas as dimensões. "Aqui está alguém que soube esperar por nós, para nos ensinar o primado do ser humano".



A estátua monumental está sobre um rochedo cúbico trazido das terras da Beira, que tanto marcaram a personalidade do Professor, nascido em 1922 e falecido em 1996, de quem o Secretário-Geral da OMN (ONU), escreveu: "Estou certo de que Portugal tem orgulho em tão eminente cientista".

 


Sobre este cientista muito se escreverá ainda. Realça-se o que o desdobrável elaborado para a cerimónia salientou: "A acção do Professor Pinto Peixoto iluminou as comunidades e as instituições que tiveram o privilégio de o acolher"..."todos os seus colegas nacionais e internacionais o consideram inexcedivelmente exemplar"..."de uma inexcedível capacidade didáctica e emotiva"..."Homem de cultura, porque sob a capa de cientista emérito e do professor e formador inesquecível, estava um profundo conhecedor da História, da Filosofia, da Teologia e Cultura Religiosa, e um homem aberto aos graves problemas do seu tempo".
 

(1) Adaptação de um artigo do Padre Bernardo Terreiro, publicado no jornal "Praça Alta", Almeida, de 9 de Abril de 2003)